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GENTE DA MINHA RUA
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Belos tempos, bela gente
tanta, que nem tenho em mente
todos os que conheci.
Por ser novo, nunca vi
o valor da amizade
desses velhos tão bondosos,
simples mas amistosos,
da minha mocidade.
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Tinha o Geada dum lado,
o Mijinha mais afastado
e a seguir a Senhorinha.
E o Afonso também tinha,
assim como sua mulher.
Tinha também o Gadanha.
Gente de melhor apanha
não a apanha quem quiser!
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Nas noites de lua cheia
toda a gente cavaqueia.
Sentados nos seus degraus
falam dos bons e dos maus
falam do novo e do velho.
E tudo serve para passar
uma noite de luar
na presença do Chinelo.
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Do Aleixo ao Milheiras,
passando velhas gaiteiras
havia também o Malhão,
mais o Mocho sabidão
e também o Rolheirinho.
E na frente o Lagartixa,
a dizer cortar-me a picha,
Também era meu vizinho.
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E descendo a Rua Fria
tinha ali o Luís Garcia
a seguir ao Ti Luís.
Mui pequenino e feliz
falam do novo e do velho.
era o Cabeça de Santo,
homem da minha madrinha,
que além do forno que tinha,
com o seu burro era um espanto!
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O Zé Pedro fogueteiro
o Garcia sapateiro
belo par que ali estava
para ouvir e não cansava.
E o Ti Chico Ganhão
mais a tia Clementina!
Era tudo gente fina
da vila de Cabeção.
António Cananó |
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