VISITA A CABEÇÃO ...
Olha, amigo, estive lá...,
ai, que saudades eu tinha...,
daquelas casas velhinhas...,
e das ruas de calçada...
Encontrei os camaradas...,
que há tanto tempo não vía...,
e em jeito de nostalgia...,
lembrámos tempos antigos...,
despertámos Cabeção...,
nessa noite de verão...,
eu, e uma dúzia de amigos...
Lembrámos as tropelias...,
na fonte do Cravidão...,
quantos "casórios" vingaram...,
daqueles que namoraram...,
ás escondidas nesse chão?!...
E aumentou a emoção...,
quando alguém lembrou os dias...,
lá no Porto de Pavia...,
no Poço e na Areeira...
Da ponte, de qualquer maneira...,
haviam provas de saltos...,
e alguns já disso fartos...,
escolhiam certas manhãs...,
com batatas meio-cozidas...,
e umas minhocas compridas...,
íam pescar "achigãs"...
Falámos doutros amigos...,
aqueles que nos "deixaram"...,
que por má-sorte "abalaram"...,
tão jovens,mas'inda assim...,
vivem connosco,ainda...,
o Zeca, o Cara-linda,o Eduardo e o Quim...
As férias estavam no fim...,
saí de casa bem cedo...,
Fui ao Pego de Penedo...,
e passei p'la Várzea-Velha...,
na volta deu-me na telha...,
porque ainda tinha "estôfo"...,
fui no barco do Badôfo...,
remando até ao Gameiro...
E no largo do Ribeiro...,
no café do 'lexandrino...,
que foi o café mais fino...,
e o mais desassossegado...,
lembrámos a Adega-Funda...,
o Vinagre, e o Zé Calado...
Fui almoçar ao Palmeira...,
bebi café à do Nelo...,
e a passear no Castelo...,
é que eu fiz a digestão...,
e foi com grande emoção...,
(para quem lembranças estima)...,
cá do alto eu avistei...,
a minha Escola-de-Cima...
Do velho Bairro eu recordo...,
os grandes jogos de bola...,
era no átrio da Escola...,
que se dava o Campeonato...,
uns jogavam sem sapatos...,
às vezes dava em "chapada"...,
mas foi com essa "cambada"...,
que aprendi o que hoje sou...
E esquecer-me, eu nunca vou...,
desses pedaços de gente...,
agora fico contente...,
ao vê-los tão bem criados...,
na vida orientados...,
encontraram seu caminho...,
ontem íam aos pardais...,
hoje são donos de um ninho...
E lá continuei sozinho...,
pelas ruas desta terra...,
mas heis que a jornada encerra...,
e outro dia suscita...,
ela estava tão bonita...,
a vila deste rapaz...,
que imaginei a sonhar...,
um menino a regressar...,
à casa do Volta-Atrás...
Fernando Vaz