Historial Da Vila De Cabeção
Embora de certa antiguidade e fundada, ao que parece, pelos cavaleiros da Ordem Militar de S. Bento de Avís, em data incerta do reinado de D. Afonso II, posteriormente a 1211, Cabeção, apenas teve a dignidade de vila, no ano de 1578, e a outorga foral simultâneo, concedido pela chancelaria de D. Sebastião. Este mesmo monarca por provisão real, concedeu ao povo cabeçanista, o privilégio de utilização, livre, do seu célebre pinhal, podendo servir-se das terras e colher pinhas, sem constrangimento judicial, direito que foi confirmado por D. Pedro II e D. Maria I e pelo marquês de Alegrete.
A alcaidaria-mor da vila esteve ocupada por D. Luís de Lencastre, casado com D. Filipa de Meneses, filha dos segundos condes de Sortelha (1574-1613) e, mais tarde a mesma governança passou aos fidalgos Castelo-Branco, condes de Vila Nova de Portimão.
O concelho foi extinto em 1836 e anexado ao de Pavia, passando, dois anos depois, por Carta de Lei de 17 de abril, simultaneamente com esta última povoação, afazer parte integrante do Concelho de Mora.
ANTIGOS PAÇOS DO CONCELHO
Situados no centro da Praça do Município, face do oriente, sofreram modificações tão estruturais que perderam o caracter ancestral.
É edifício de pobre arquitectura civil do tipo vulgar da região, de planta rectangular, de alvenaria e cobertura de duas águas. Tem quatro janelas de sacada e balcões férreos, de barrinha, da reforma oitocentista determinada quando da sua adaptação a Junta de Freguesia. As portadas são, também, deste período, vendo-se embebidas no eixo do pavilhão, as primitivas entradas. Axialmente, rompendo da cimalha, campanário do sino de correr e, sotoposta, brasão marmóreo do extinto alfoz (obra recente). No chão sobranceiro e restaurado no ano de 1960, ergue-se o PELOURINHO, de mármore branco, que obedeceu a desenho conjectural, porque do primitivo, demolido em 1874, não se conhecem reproduções e dos seus membros antigos, aproveitados como material de cantaria na obra da nova fonte da vila, apenas se salvou a esfera armilar solidária com a coroa real, fechada, do tipo filípino e de características seiscentistas. De volume desproporcionado e assente em três degraus de secção octogonal, compõe-se de base quadrada, ligeiramente moldurada; pilastra lisa, chanfrada e capitel rectangular donde rompem quatro bestiários de ferro forjado, estilizados e de inspiração manuelina, portanto em flagrante anacronismo com a reconstituição da picota, da época barroca. Sobrepujantes, ornamentais, os elementos velhos - coroa e esfera armilar, discoides.

Na encosta do cabeço que domina a povoação e reclinado na Rua 1.º de Dezembro, com frente para o lado sul, subsiste o mais arcaico e pitoresco núcleo de casario civil, típico da região, construído em elevado jorramento roqueiro de escalinata e frontarias de chaminés ressaltadas ou rompentes dos telhados, fortemente revestidas de caio encarquilhado de velhice. Algumas casas - n.ºs 49-57, podem remontar ao. XVI.

Superiormente à mesma colina, que anichou a vila velha e local onde se afirma ter existido um campamento militar ou castro romano, edificou-se, em tempo indeterminado, pequeno edifício de planta quadrada, de alvenaria, em forma de templete, que o povo baptizou de TORRINHA DO CASTELO. Não parece obra anterior ao séc. XVII (no aspecto actual) e dispunha-se, inicialmente, de quatro arcadas redondas, apilastradas e de ábacos muito salientes, com cúpula de meia laranja no corpo exterior e de secção octogonal, no interno.
Tem catavento férreo, vulgar. Em tempos mais recentes, no lado do Ocidente, foi-lhe encostado um edifício utilitário e o arco setentrional transformado em portal. Recebeu fortes camadas de reboco e obra de consolidação no ano de 1950, as quais lhe desvirtuaram a silhueta. Afirma a tradição locativa que no templetecelebravam missa os freires donatários da Ordem de Avís, quando passavam ou estagiavam na vila.

No Largo Infante D. Henrique, onde se levanta a Igreja Matriz, subsistem antigas casas anteriores ao Terramoto de 1755, com elementos curiosos embebidos nas fachadas: (N.º 3)-cruzeiro granítico, de rude execução, talvez de memória fúnebre e, faceira elevada, frontalmente ao corpo da torre paroquial, com balcão obstruído, de duas amplas arcadas de volta redonda e outras janelas e portadas de pedra e épocas recuadas.
A irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Cabeção, que teve anexo o Hospital de Santa Cruz, foi instituída entre 1597-9 e o templo, erguido a sua sagração em dia indeterminado do ano de 1600, com licença do arcebispo de Évora, D. Teotónio de Bragança. Atendendo ás condições particulares da fundação, a câmara Eclesiástica, presidida pelo padre Dr. António Coelho, declinou o tributo do regimento Metropolitano, do marco de prata de 2600rs., que foi distribuído por intenção piedosa pelos pobres da vila, na celebração da 1ª missa rezada.
Governava-se pelo compromisso da misericórdia de Lisboa e nos meados do séc.XVIII, tinha de rendimento anual 200000rs. Bibl.-Lopes Correia, Mora e o seu Concelho (1961), pp. 99 e ss.
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