
Ermida do Salvador do Mundo
A actual vila de Cabeção teve a sua origem numa Quinta fundada pela Ordem de Avis, essa Quinta conhecida por “ Quinta de S. Salvador “ ou do “ Salvador do Mundo “ ocupava o sudoeste da colina onde actualmente se ergue o Bairro João Lopes Aleixo e toda a planície que à sua frente se desenrola. Nela foi construída, no século XIV, a ermida que hoje serve de capela do cemitério, dedicada ao Salvador do Mundo.
Da sua traça primitiva há que destacar o portal gótico, que ainda mantém.
Descrição: “ (...) Está voltada, sensivelmente, na linha do ocidente e, embora do acervo do século XVIII pouco subsistisse de valor arqueológico, a sua silhueta reformada, tem carácter e o pitoresco inerente a todos os edifícios profanos ou religiosos do aro rural transtagano, com os alçados fortemente rebocados de caio, sóbrios, discretos e amparados por botaréus lisos, e telhado de duas abas muito esguias.
Vestígios dos fundamentos são a portada axial, granítica (...) de estilo gótico e (...) o nicho porticado e apilastrado, de alvenaria, que constitui , no todo o frontão do templete, ladeado de pináculos adossados, e rompente, pequena cruz marmórea da época barroca.
O interior (... ) foi restaurado na década de 1950 . Nave, de planta rectangular, totalmente despida de adornos, com tecto redondo, liso, reerguido depois de 1755. A capela- mor, sensivelmente quadrada, tem cúpula hemisférica , com cornija truncada, assente em trompas populistas, e arco- mestre gótico, de granito, de volta perfeita ( de arranjo posterior ao terramoto ) e jambas chanfradas, certamente da época primitiva, trecentista, que estiveram quase duas centúrias cobertas de reboco (...) “
Espanca, Túlio, Inventário Artístico de Portugal- Distrito de Évora, Lisboa, Academia Nacional de Belas- Artes, 1975.
Contexto: Servindo actualmente de capela do Cemitério Público e de origem muito recuada, foi fundada pelo povo de Cabeção na Quinta de S. Salvador, sita a sudoeste do pendor da colina onde se construíu o Bairro João Lopes Aleixo.
Comenda da Ordem Militar de S. Bento de Avis, desde seus primórdios, talvez ainda do século XIII, era administrada pelo reitor da Matriz, que dependia (...) da Mesa da Consciência e Ordens.
Teve rendas importantes, que no ano de 1733 por determinação de D. João V, foram entombadas pelo Desembargador João Barroso Pereira, cavaleiro professo da Ordem de Cristo.
Nos terrenos do Cemitério foram localizados, acidentalmente, em 1970, alguns pavimentos de mosaicos luso – romanos, incompletos, de habituais ornatos geométricos (...)São polícromos (...)podendo atribuir- se a sua datação ao século V, depois de Cristo. Retirados cuidadosamente por especialistas do Museu Etnológico Leite de Vasconcelos, de Lisboa, encontram-se expostos na Igreja da Misericórdia da vila.


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